Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009

Doses de luxo em Amsterdam


Uma guest house à altura de uma das capitais mais charmosas do mundo. A Seven One Seven, em Amsterdam, na Holanda, tem apenas oito quartos, distribuídos em uma construção do séc. XIX. Tudo ali tem uma atmosfera que combina romance e requinte.

O café-da-manhã pode ser servido nas suítes - cada uma tem estilo próprio, mas todas ostentam paredes e janelas coloridas, adornadas por pinturas. O decor faz um blend de objetos clássicos e contemporâneos.

Muito bacana: a diária inclui, também, o chá da tarde e uma seleção de vinhos da casa. E se a intenção for utilizar o serviço de quarto para o jantar, ele é feito em parceria com o restaurante Mashua (foto), que fica na mesma rua, e é tão charmoso quanto a guest house.

A localização, aliás, é outro ponto forte. A 717 fica perto de lojinhas fashion e da zona de antiguidades, com cinemas, bares e bons restaurantes, além dos museus Van Gogh e Nacional, e do Palácio de Concertos.

Hotel Seven One Seven
Prinsengracht 717
1017 JW Amsterdam

Tel: 31 (20) 4270717
info@717hotel.nl

Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Um 2009 inspirador para você




Adoro escrever mensagens otimistas, desejar o melhor de maneiras diferentes. Desta vez, escolhi editar um vídeo com imagens inspiradoras para o ano que está chegando. A canção é uma das minhas favoritas, a versão cool de um clássico adorável, na voz de Jack Nicholson - isso mesmo, o próprio.

Então, como você vai ver no vídeo, meu desejo é um 2009 repleto de realizações, descobertas, romance, viagens, risadas e, claro, muita saúde.

Que seja um ano brilhante!

Um beijo,

Luciana


Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

Receita para um Natal descolado. Segunda parte.

A cada fim de ano, a cena se repete: onde comem cinco, comeriam, tranqüilamente, dez. E onde comem dez, comeriam vinte. Não tem jeito, a tradição pede ceias redundantemente fartas. E o melhor a se fazer é tentar planejá-las sem complicação, mas com muito estilo. Acredite, é possível.

A banqueteira Mônica Dajcz adora criar receitas fáceis, com grande efeito. De saladas chics a pratos contemporâneos, de finger food a doces estilosos.

Ela escreveu um livro super bacana, Segredos de uma Banqueteira - Para receber em casa com sucesso, pela Editora Melhoramentos (foto). Para o Bistrô Pimenta, ela dá dicas de como garantir um toque descolado ao jantar natalino. E nessa proposta, os tradicionais assados se transformam em recheios de massas, as frutas secas viram ingredientes de um exótico tabule e o crème brûlée abrilhanta a hora da sobremesa. Sem complicações.

Se animou? Seguem as sugestões:
  • O ideal é deixar os pratos prontos e apenas aquecê-los na hora, pra ficar sem preocupação à mesa e curtir bastante, tomando um bom vinho.
  • Ceias para um número reduzido de convidados permitem mais liberdade: eleja um dos assados, como tender ou pernil, para rechear uma massa, como ravioloni ou sfogliatti, ou algo pré-cozido e rápido. Sirva com um molho adocicado ou ácido, como de laranja, ou tamarindo. A dica para quebrar o ácido do tamarindo é adicionar açúcar mascavo ao molho.
  • Aposte, também, em uma opção de peixe, como bacalhau, que dá pra deixar pronto e aquecer na hora. Prepare assado, em camadas, com mini batatinhas. E finalize com azeitonas pretas, cebola, e ovos de codorna, no lugar dos convencionais, pra ficar mais charmoso.
  • Para acompanhar, arroz com lentilhas e uma salada, que deve ser temperada na hora.
  • Se você preferir, prepare, no lugar da salada, um tabule de frutas secas, que se faz com trigo para quibe, utilizando todas essas frutas: figos, tâmaras, passas, damascos, castanhas e nozes. Depois é só temperar com azeite e mel. Fica ótimo!
  • É fácil calcular a quantidade: 150 g de salada ou tabule para cada um. O mesmo para a massa. Já quanto ao bacalhau, calcule 200 g por pessoa.
  • Apesar do verão, uma sobremesa quente é bem-vinda, se combinada com outra, fria. Individuais, elas ficam mais bonitas. Opte por uma tarte tatin, que pode ser comprada congelada, ou um crème brûlée, maçaricado na hora, para dar um charme. Sirva com um sorvete ou semifredo.
  • Se houver um chocólatra na família, um fondant de chocolate, com cerejas e macadâmia, fica bem natalino. E se as cerejas forem naturais, melhor ainda.
  • Bebidas: um cabernet sauvignon vai bem com esses pratos. Uma garrafa, para duas pessoas. Faça o mesmo cálculo para o champanhe. Capriche na escolha, porque, afinal, é Natal.
  • E não se esqueça de tirar do armário seus melhores copos de cristal, sousplats, louças etc. A data merece!
Pronto! Com essas dicas e a trilha sonora da postagem anterior, você garante uma ceia pra lá de descolada. Em tempo: a foto que abre a postagem é de um lombo com molho de grapefruit. E, à direita, uma salada de grãos, com pêra caramelada. Um lindo Natal pra você!

Mônica Dajcz Gastronomia
R.Aurélia, 40, Vila Romana, São Paulo
Tel: (11) 3873.6581-3672 1356

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

Receita para um Natal descolado. Primeira parte.


Nada como cultivar tradições. E o Natal é uma das mais especiais. Do perfume de panetone à nostalgia das rabanadas. O aroma dos assados se espalhando pela casa, enquanto o dia se desenvolve. A família reunida. Simplesmente porque é Natal.

Sim, é importante preservar esses hábitos, mas é também saudável dar uma arejada na data. Um desafio, eu diria, bem prazeroso. A começar pelas canções tradicionais. Eu até me arrepio - de pânico - quando, inevitavelmente, ouço a voz do John Lennon: "So this is Christmaaaas...". De tão onipresente, não dá mais. Mas há músicas natalinas bem bacanas e vale à pena montar uma trilha mais original. Sugestões? Lá vão:

  • Do filme Esqueceram de Mim, White Christmas, dos Drifters. Tem um suingue mais up do que a versão tradicional, do Bing Crosby.
  • Aliás, há uma outra versão de White Christmas, do Otis Redding, que é de arrasar corações, de tão sentimental. Melancólica, é verdade. Mas linda.
  • Jingle Bells, por Diana Krall. Chic, très chic.
  • Blue Christmas, por Elvis Presley. E precisa dizer alguma coisa?
  • Let It Snow, por Emilie-Claire Barlow. Muito cool.
  • Santa Baby, com Eartha Kitt. Para um Natal sexy, muito sexy.
  • Winter Wonderland, por Louis Armstrong. Porque a voz do Armstrong torna qualquer clássico atual.
  • Home on Christmas Day, por Cindy Lauper. Essa versão foi uma deliciosa surpresa que tive no Natal de 2007. E que resolvi adotar para todos os seguintes.
  • Merry Christmas, Baby, por Otis Redding (ele, de novo). Natal em ritmo de soul.
  • Rocking Around the Christmas Tree, por Brenda Lee. Porque, afinal, ninguém é de ferro...
  • E, por fim, Do they know it´s Christmas? Band Aid. Para mim, a música mais bonita já composta para o Natal. Pela melodia, pela letra, pelos intérpretes e, principalmente, pelo propósito.

    Se você ainda não conhece alguma dessas faixas, a seleção está sonorizando o Bistrô Pimenta neste fim de ano. Nessa ordem. É só acessar o player, à direita do título do blog. Espero que goste!

    Continua...

Domingo, 21 de Dezembro de 2008

Moqueca Capixaba, o sabor de uma tradição

Você conhece a diferença entre a moqueca capixaba e a baiana? Simples: a receita preparada no Espírito Santo não leva leite de coco, nem azeite de dendê. E, para dar cor ao molho, utiliza-se apenas urucum, que não interfere no sabor do peixe. Por isso, a versão capixaba é considerada mais leve do que a baiana - que também é deliciosa, cá entre nós.

O mar do Espírito Santo é abundante em pescados, ideais para o preparo deste, que é o prato mais popular do estado. Mas, sabendo preparar, qualquer ingrediente serve de base para a moqueca. Até mesmo a banana-da-terra, como se vê na foto à direita.

Nesta segunda, dia 22 de dezembro, você poderá assistir a um especial sobre o Espírito Santo no SBT Realidade. O destaque será a culinária capixaba e os caminhos da fé: da beleza do Convento de Nossa Senhora da Penha, em Vila Velha, aos Passos de Anchieta, trilha percorrida por peregrinos anualmente, da capital, Vitória, à cidade de Anchieta. Começa por volta de meia-noite, no SBT.

Por enquanto, eu adianto uma receita da moqueca capixaba, que é bem fácil de fazer - você vai ver que não tem mistério. Mas é fundamental utilizar a panela de barro. E, se for fabricada no bairro de Goiabeiras, em Vitória, melhor ainda. O motivo, como você verá no programa, é o fato de ela conservar o calor por muito mais tempo. E, garantem os capixabas, é a única que confere o sabor autêntico ao prato.

Moqueca Capixaba

Ingredientes:

  • 1,5 kg de badejo ou robalo, em postas*
  • Alho picado, a gosto
  • 4 tomates, cortados em cubos
  • 1 cebola picada
  • 2 maços de coentro (isso mesmo, 2 maços!)
  • Urucum a gosto, diluído em um pouco de óleo aquecido
  • Suco de limão a gosto
  • Sal a gosto
  • Azeite de oliva em quantidade suficiente para o refogado
Preparo:

1. Tempere as postas do peixe com sal e limão.

2. Forre o fundo de uma panela de barro com bastante azeite.

3. Doure o alho levemente.

4. Adicione metade da cebola picada e o tomate.

5. Em seguida, acomode as postas de peixe com cuidado.

6. Agora é a vez de adicionar a outra metade do tomate e da cebola.

7. Acrescente caldo de limão, à vontade.

8. Regue as postas com um caldo feito com urucum diluído em óleo aquecido, para dar cor.

9. Finalize com uma boa quantidade de coentro e corrija o sal.

10. A moqueca começa a borbulhar e faz evaporar um mundo de aromas. Não vire as postas durante o cozimento.

Dica: não descuide da fervura. Sempre que necessário, mexa a panela levemente, para que o peixe não grude no fundo. Outra coisa: nem todos adotam essa prática, mas vi vários moquequeiros adicionarem um pouco de água durante o cozimento, se o molho ameaçar secar.

Depois de 20 minutos, mais ou menos, a moqueca está pronta. Se preferir, finalize com mais coentro e um pouco de cebolinha. A panela de barro vai manter a moqueca borbulhando, ainda à mesa, por muito tempo. Sirva com arroz branco e pirão. Bom proveito!

*Calcule uma média de 300g de peixe por pessoa.

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Camping de luxo na região dos cânions

Em frente ao rio Camarinhas, em uma das regiões mais belas do Rio Grande do Sul, fica o Parador Casa da Montanha, um hotel de charme que, na verdade, tem a proposta de ser um camping de luxo, inspirado nas cabanas de safári da África.

As barracas, de lona, são super modernas e têm toda a tecnologia para isolar o hóspede do frio local, que aliás é bem rigoroso: no inverno, chega a sete graus negativos, mas a sensação térmica é de vinte abaixo de zero, graças aos ventos fortes que sopram na região de Cambará do Sul. Pode acreditar: você não vai passar frio - pelo menos dentro da barraca. Além do revestimento de lã de vidro, ela tem o interior forrado por pano e aquecimento por calefação. Lençóis térmicos ajudam a deixar o frio bem longe.

A vista, para os campos de araucárias, é outro ponto forte do lugar, rusticamente charmoso. O restaurante, na casa sede, serve delícias com ingredientes da culinária campeira gaúcha. Os pratos, como moranga caramelada e arroz-carreteiro, têm apelo caseiro e pedem um bom vinho para dar ao jantar um tom reconfortante. Vez ou outra, são servidas carnes de caça, como a de javali.

É bom alertar, no entanto, que é preciso estar no clima: todas as cabanas são bem aconchegantes e contam com lavabos, mas as duchas ficam em uma casa de banho aquecida por lareira, a alguns passos da cabana, seguindo a proposta do camping. O diferencial do espaço fica por conta da sauna e do spa, com vista para o vale.

Se esta não é bem a sua praia (ou campo, voilà), nem tudo está perdido: o lugar conta com três suítes. Essas, com direito a hidro no terraço e banheiros completos: com duchas e amenities. São super românticas. O luxo maior, no entanto, fica do lado de fora, mais precisamente a vinte minutos de estrada dali: o cânion de Itaimbezinho (foto à direita), com suas paredes rochosas e íngremes, é a principal atração da região. E tanto o cânion quanto o camping serão destaques, hoje à noite, no SBT Realidade.

Eu e o repórter cinematográfico Adriano Savini estivemos lá e vamos mostrar pra você as belezas dessa região mágica, que muitos brasileiros - ainda - desconhecem. Hoje à noite, com início da exibição previsto para entre 23h30 e meia-noite.

Parador Casa da Montanha
Estrada do Faxinal - Fazenda Camarinhas, Morro Agudo
Cambará do Sul - RS
Tel. (54) 3504.5302

Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008

Um bolo dos deuses

Faz um tempinho que eu postei, aqui no Bistrô Pimenta, um texto sobre minha visita a Alagoas, lugar que eu adoro. Conforme comentei anteriormente, foi nesta última viagem que tive a oportunidade de conhecer as queridas Irmãs Rocha, três senhoras lindas e muito elegantes, que são ninguém menos do que as maiores referências em culinária alagoana.

Hoje à noite, no SBT Realidade, você terá a oportunidade de conhecê-las e de dar boas risadas com as histórias que elas contam. A entrevista foi gravada na Fazenda Lamarão, no Pilar, um lugar belíssimo, com atmosfera colonial (detalhe na foto à direita). Elas comentaram sobre a gastronomia contemporânea e, também, sobre alguns pratos típicos. Um deles, o delicioso Bolo Fino de Massa Puba, cuja foto aguçou o paladar dos leitores do blog.

Pois então, aqui vai a receita, que faz parte do livro "Delícias da Cozinha Alagoana - As melhores receitas das irmãs Rocha" (ed. EPS). Segue comentário sobre o bolo, publicado no livro:

"A receita é criação de Dona Alice Duarte, exímia cozinheira, filha do médico Dr. José Duarte. Costumava festejar com toda a pompa o dia de Santo Antônio em seu casarão da Rua do Sol. Dizia que nenhuma das freqüentadoras de suas festas ficaria para titia."

Dona Jacy, Dona Yeda e Dona Maria, fica aqui, então, minha homenagem às senhoras. O programa começa às 23h15.

Nota: a receita original do Bolo de Massa Puba, que não leva fermento, é uma das mais tradicionais do Brasil, conhecida, também, como Bolo Souza Leão. E recebeu este nome porque foi servida pela tradicional família Souza Leão, de Pernambuco, a D Pedro II e sua mulher, Dona Teresa Cristina. Segundo relatos, os dois teriam se esbaldado... com toda razão.

BOLO FINO DE MASSA PUBA

Ingredientes:
  • 600 g de massa de mandioca puba peneirada*
  • 8 ovos
  • 1 colher (chá) de sal
  • 250 g de manteiga
  • 1 xícara de sumo de coco ou 200 ml de leite de coco
  • 2 xícaras de açúcar
  • Sal a Gosto
  • 1 colher (chá) de fermento em pó
Preparo:

1. Bata as claras em neve.
2. Junte o sal e as gemas, uma a uma.
3. Reserve.
4. Em outra vasilha, bata o açúcar com a manteiga.
5. Acrescente a massa de mandioca puba e o leite de coco.
6. Misture levemente as claras batidas com as gemas aos demais ingredientes e leve ao forno brando, pré-aquecido, em forma untada e polvilhada com farinha de trigo, até assar por completo.


* A massa puba é a tapioca úmida fermentada, encontrada facilmente em feiras de produtos nordestinos.

Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

Serra da Capivara: um mundo de descobertas.


Pouco se fala sobre o Piauí, quando o assunto é turismo. Mas o estado, embora não ofereça uma boa infra-estrutura voltada para esse setor, conta com locais interessantíssimos, que fogem do lugar-comum. Um deles é o Parque Nacional Serra da Capivara, do qual todo brasileiro deveria se orgulhar.

Trata-se de um verdadeiro museu a céu aberto, que reúne mais de 900 sítios arqueológicos. Ali foram encontrados objetos e pinturas rupestres - os vestígios mais antigos da presença humana no continente americano, que datariam de cem mil anos atrás. O lugar tem uma beleza rústica e especial, que atinge seu esplendor no período das chuvas, quando a paisagem da caatinga, de galhos retorcidos e raízes profundas, fica ainda mais verde e ganha o colorido das flores, que parecem acordar para saudar a estação.

"Isso sim é que é tempo bom, minha filha, chuva! Que sol, que nada", me disse um humilde morador da região, do alto da sabedoria e experiência de uma vida inteira sob o sol forte do sertão semi-árido.

É bom lembrar que a estrada de Teresina para a cidade de São Raimundo Nonato, ponto de partida para o Parque, não é nada boa. Aliás, sendo o caminho para um verdadeiro tesouro arqueológico, a estrada merecia mais carinho por parte do Governo. Os hotéis locais também deixam a desejar. Bastante. Mas é o preço que se paga - pelo menos por enquanto - para se conhecer esse lugar, declarado pela UNESCO Patrimônio Cultural da Humanidade.

Os detalhes desta viagem foram exibidos no SBT Realidade do dia 01 de dezenbro.O programa mostrou, nos dois primeiros blocos, uma reportagem sobre a Península de Maraú, na Bahia, realizada pela repórter Patrícia Travassos. Depois, a visita ao Piauí, registrada por mim e pelo repórter cinematográfico Adriano Savini. Assista a um trecho aqui.

Fotos: a paisagem típica da caatinga abre a postagem. Em seguida, rochas que parecem imitar figuras humanas. Depois, à direita, uma das milhares de pinturas rupestres, marca registrada do Parque. À esquerda, o mandacaru, um dos símbolos do sertão. E, por fim, à noite, no Sítio do Boqueirão da Pedra Furada (o cartão postal da Serra), eu e Niède Guidon, arqueóloga brasileira respeitada mundo afora, que preserva o Parque como quem cuida de um filho.

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

De volta a São Paulo... De volta ao blog.

Nunca fiquei tanto tempo sem postar no Bistrô Pimenta. Na verdade, até mesmo durante as viagens mais estressantes, eu costumo redigir e postar minhas dicas. Mas, desta vez, o ritmo de trabalho foi tão intenso que mal tive energia para escrever. Em alguns lugares, nem mesmo acesso à web e ao celular eu tinha. Então, cá estou de volta, cheia de boas novidades pra contar.

Há alguns meses, a Ana Paula Padrão, com quem já trabalhei na Rede Globo - e que também é uma apaixonada por gastronomia e viagens - me fez um convite especial: viajar pelo Brasil pra contar peculiaridades sobre este país tão rico em biomas, cores, sabores, gente. E mostrar o resultado em uma série de reportagens sobre turismo, a ser exibida em dezembro, no SBT Realidade, programa que ela comanda, e que vai ao ar todas as segundas, por volta das 23h15.

Eu havia me prometido que não retornaria à TV tão cedo, mas o projeto é tão bacana que mudei de idéia pra seguir viagem. E acabei, quem diria, matando a saudade do vídeo. A Ana Paula montou uma agência super descolada, a Touareg Conteúdo, e tem produzido programas bem legais. De Portugal ao Peru, de Israel a São Paulo, é possível viajar para vários lugares do mundo, pelo olhar apurado de um time competente de jornalistas.

Você vai acompanhar, aqui pelo blog, as chamadas para os programas, que têm início na próxima segunda. Espero que goste - e que, assim, eu consiga me redimir pelo atraso das postagens aqui no Bistrô...

A propósito, a foto que abre a postagem, eu tirei a caminho do Cânion Fortaleza, no Rio Grande do Sul, um dos temas dessa série tão especial. O mesmo céu abraçou um camping de luxo, na foto à direita, que também vai aparecer no programa. À esquerda, em seguida, você vê os doces de tabuleiro de Riacho Doce, em Alagoas. Ao lado, eu e o Adriano Savini, repórter cinematográfico, na Serra da Capivara, no Piauí. E, por fim, à esquerda, você vê a autêntica moqueca capixaba. Sim, ela também será abordada na série.

Fora isso, minha coluna sobre viagem na Mitsubishi FM continua, sempre com novidades bacanas, pra quem gosta de viajar e descobrir o que há além da mesmice dos pontos turísticos. Tem também, na Playboy deste mês, o ranking dos melhores restaurantes do Brasil, que eu escrevi. E, mês que vem, na Revista Prazeres da Mesa, tem a cobertura completa do Mesa Tendências, o maior evento de gastronomia já realizado neste país, que eu tive o orgulho de cobrir.

É isso. Aproveite as sugestões e um grande abraço.

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Alagoas. Sempre.

Mais uma vez recebo mensagens carinhosas, pedindo novas dicas. E, mais uma vez, cá estou eu me desculpando pela falta de atualização deste Bistrô. Acontece que estou distante, em um projeto muito bacana que me levou a flanar pelo Nordeste do Brasil. E nessa onda, já conversei com pessoas tão especiais, já estive em lugares tão encantadores, que seria impossível relacionar todos aqui.

Então, para adiantar um pouquinho, conto que um desses lugares foi o estado de Alagoas, que amo, e que abriga um litoral digno de declarações de amor. Aliás, sempre que deixo Alagoas, tenho a sensação de que retornarei mais e mais e mais. E não dá outra.

A foto que abre a postagem, dos coqueirais a caminho da praia do Gunga, no litoral Sul do estado, eu tirei após muitos suspiros de admiração. Também passei uma manhã memorável, acompanhada pelas queridas Irmãs Rocha. Pra quem não sabe, essas três senhoras muito, mas muito elegantes - e sempre simpáticas no superlativo - são ninguém menos do que as maiores entendedoras de culinária alagoana. Fui recebida na Fazenda Lamarão, em Pilar, um lugar com atmosfera colonial, onde se respira história e se ouvem conversas tão deliciosas quanto a comida que ali se produz.

O encontro foi celebrado com um almoço longo, do qual não vou me esquecer. Tudo devidamente registrado. A foto do bolo é apenas um detalhe da mesa de sobremesas (eram uns oito tipos, um deleite). Trata-se do tradicional bolo Souza Leão. "Mas assim é como chamam em Pernambuco, Luciana. Aqui a gente chama de bolo de massa puba, viu?", esclareceu dona Maria Rocha, que aparece na foto comigo. Em tempo: da esquerda para a direita, dona Yeda, dona Jacy e dona Maria. Saudade!

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

Ainda sobre Praga...

Já que eu comentei aqui no blog sobre a beleza da capital da República Tcheca, nada mais justo do que indicar um hotel à altura. E, se for pra ficar em grande estilo em Praga, o Mandarin Oriental, no centro histórico da cidade, é uma sugestão muito bem-vinda.

O hotel é recente, mas a construção é antiga - um monastério dominicano do séc. XIV. Curiosidade: as fundações originais foram preservadas e podem ser observadas através de um piso de vidro. A decoração combina o estilo minimalista com antigüidades - nas suítes, o design contemporâneo dos objetos se integra com requintes da arquitetura histórica, combinando os estilos barroco, renascentista e gótico. As sílabas iniciais desses estilos, aliás, dão nome ao bar do hotel, BAREGO (foto à esquerda), onde a carta de bebidas traz uma boa variedade de cervejas, incluindo marcas raras, de pequenas cervejarias tchecas. Não vamos esquecer que o país produz as melhores cervejas do mundo.

O restô do hotel se distribui por cinco salas, adornadas por ilustrações asiáticas e flores frescas. No cardápio, destacam-se os sabores asiáticos e o melhor da cozinha européia. Mas nem todos os pratos são fusion. O hóspede pode optar por um ou outro estilo de gastronomia, ou pela combinação dos dois. As sobremesas são super caprichadas, como você vê abaixo, na foto de Cris Berger.

São doses de luxo e conforto, com ares contemporâneos, para brindar sua passagem pela capital tcheca. E, como se vê na foto que abre a postagem, as janelas estão sempre ali, para nos lembrar que, lá fora, Praga continua bela e romântica.


Mandarin Oriental
Nebovidska 459/1, 118 00

Praga, República Tcheca.
Tel: 420 233 088 888

Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

A beleza de Praga


Já dizem os viajantes experientes: "muito cuidado com sua primeira viagem à Europa. Nunca comece por Praga, pois você corre o risco de achar todo o resto do continente sem graça." E corre mesmo. Praga, na República Tcheca, respira uma atmosfera medieval. É uma dessas cidades cobertas por tons de dourado, com ruelas, pontes e bondes, onde tudo parece ter saído de um livro de arte.

As cores da cidade são uma inspiração constante, como você vê na foto que abre a postagem, do Mosaico da Casa Municipal, onde acontecem os principais concertos da capital da República Tcheca. O lugar foi clicado por uma querida amiga, Cris Berger, fotógrafa e jornalista, com quem eu já viajei para as Ilhas Maurício e a África do Sul, a trabalho.

Cris é uma gaúcha adorável, daquelas com sotaque cantado, que durante conversas animadas dispara um sonoro "capaaaaz", ou então "felizzzz, guria". Ela está retornando da República Tcheca e montou uma exposição fotográfica em São Paulo. Chama-se "Um lugar que te faz sorrir" e retrata não só Praga, como também Ceský Krumlov e Ceské Budejovice.

São vinte painéis, com lugares mágicos, cada um com um texto correspondente. Eles vão ficar expostos, até o dia 19 de outubro, na Galeria do Conjunto Nacional. Dá pra ter uma idéia da beleza pelas outras fotos da postagem. Para viajar nas imagens.



Um lugar que te faz sorrir

Por Cris Berger
Galeria do Conjunto Nacional
Av Paulista, 2073
São Paulo - SP

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008

Os sabores de Rosh Hashaná, por Andrea Kaufmann

Na noite de 29 de setembro comemora-se o Rosh Hashaná, Ano Novo judaico, uma data de reflexão e festas familiares. E sempre que falamos em judaísmo, as celebrações acontecem em volta da mesa, cada prato com seu significado. A maçã, por exemplo, é um dos alimentos mais simbólicos. Remete ao começo, à história de Adão e Eva. O início da refeição acontece com uma reza, em que se comem fatias de maçã embebidas em mel - hábito que representa o desejo de um ano doce.

Peixe, vitela, patês... uma mesa farta e cheia de significados que desperta o interesse e o fascínio pelos costumes da data. Eu conversei com a chef Andrea Kaufmann (foto), do restaurante AK Delicatessen, em Higienópolis, São Paulo, sobre as tradições culinárias de Rosh Hashaná. A chef não só explicou sobre os pratos que compõem a ceia, como também lembrou várias passagens em família.

O depoimento de Andrea está na revista Prazeres da Mesa deste mês, com histórias que despertam o paladar. De quebra, a chef cedeu três receitas tentadoras: uma chalá doce especial para a data (pão em forma redonda, com passas e vinho Marsala), o Stinco de Vitela ao molho de Damascos e Couscous Oriental, e a deliciosa Compota de Frutas Secas (foto à esquerda), que é um dos hits do cardápio do AK: uma sobremesa preparada com vinho Tokaj e aroma de canela.

A revista, como sempre, está ótima: além de um especial sobre quiches, com a história da Lorraine e várias outras versões dessa especialidade francesa, traz também a primeira aula do Curso de Vinhos, ministrado por Manuel Luz - com quem, aliás, venho tendo aulas muito elucidativas há alguns meses, em um curso de formação de sommelier.

Fotos dos pratos e da chef: António Rodrigues.

Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

Macarons... voilà!

Reinventar clássicos é uma das especialidades de Flavio Federico, um dos grandes chefs confeiteiros do país, que fornece doces tentadores para o grupo Fasano e o Bistrô Charlô. Desta vez, ele propõe vinte novas combinações de sabores de macarons, a serem provados em sua loja, a Sódoces (foto), em Moema, São Paulo. É lá que onde acontece, a partir do dia 20 de setembro, o I Festival de Macarons.

Entre as delícias propostas por Federico destacam-se os macarons Caipirinha (com ganache de limão galego e cachaça), Rossini (morango e espumante), Mantiqueira (banana caramelada, chocolate e café), Oiapoque (cupuaçu, rapadura e chocolate branco), Pão de Mel (especiarias e ganache de chocolate com mel), Sedução ( geléia de framboesa e água de rosas) e Sinhá (tangerina com pimenta rosa). Tentadores...

Federico criou, também, o Macaron Zequinha, preparado com gianduia (chocolate ao leite com avelãs), em homenagem ao filho de Dona Jô Clemente, fundadora e presidente de honra da APAE de São Paulo. Toda a renda obtida com a venda desse macaron será revertida para a entidade.

O festival acontece até o dia 30 de setembro.
"Mas só onze dias???" Isso mesmo. Corra.

I Festival de Macarons
Sódoces
Al dos Arapanés, 540
Moema, São Paulo
SP
Tel (11) 5051.5277

Sábado, 6 de Setembro de 2008

Festival de Trufas Negras


Inigualável. Para alguns, não há muito o que comparar quando a missão é descrever o sabor particular que as trufas conferem aos pratos. Donas de um aroma intenso, elas se desenvolvem a poucos centímetros da superfície do solo, junto a raízes de árvores como o carvalho e a castanheira. É pelo faro que cães treinados indicam aos colheteiros o local onde elas se encontram, em regiões como o Piemonte, na Itália, ou o Périgord, na França. Utilizadas em pratos simples, como omeletes, e também em criações da alta gastronomia, as trufas brindam o olfato com um aroma envolvente e arrebatam o paladar com um sabor raro e singular.

Por tudo isso, elas são caríssimas. Existem as brancas e as negras. Estas últimas, não tão aromáticas quanto as primeiras - mas nem por isso menos especiais - apresentam maior durabilidade. Chegam a custar entre mil e dois mil dólares. Vez ou outra aparece um festival, destacando essa delícia. Um deles acontece na semana que vem: no paulistano Ravioli Cucina Casalinga (foto), Roberto Ravioli vai receber o chef italiano Claudio Savitar para preparar, a quatro mãos, um menu degustação com Tartufo Nero de Norcia, nos dias 16 e 17 de setembro. O cardápio desses dois jantares será o seguinte:

  • Per Cominciare: Crostini Toscani al burro Tartufato
  • Antipasto: Baccalà mantecatto con polenta Tartufata alla griglia
  • Primo: Gnocchi con Zabaglione di Bottarga al profumo di Tartufo
  • Secondo: Noce di Vitello Uruguaio con risottino al Tartufo e Velutata di Porcini
  • Dessert: Formaggio con miele Tartufato

Preço: 130 reais por pessoa, com vinhos à parte. Nesses dois dias, o jantar no restaurante será exclusivo para o festival.

Reservas: (11) 3082.3383 ou 3083.1625

Restaurante Ravioli Cucina Casalinga
Rua Joaquim Antunes, 197
Jardim Paulistano, São Paulo
Tel. 11. 3082.3383

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

Deleite australiano


Não há como não se impressionar com o ambiente da Glass Brasserie, em S
ydney, na Austrália, com pé direito de nada menos do que 13 metros de altura, enormes paredes de vidro e vista para o Queen Victoria Building, o shopping mais elegante da cidade. O lugar, que fica no segundo piso do Hilton Sydney, tem projeto ultra descolado, assinado pelo designer de interiores Tony Chi (o mesmo do Asiate, em Nova York), com direito, ainda, a obras de arte abstratas, luz de velas e uma adega com mais de 450 rótulos e dez mil garrafas, de todos os continentes.

No comando, o
celebrado chef Luke Mangan (foto) utiliza técnicas clássicas francesas para criar pratos que valorizam produtos locais, como carnes especiais e frutos do mar, especialmente ostras frescas. Estas últimas, aliás, são a sensação do restaurante. Não há um momento em que você não veja uma mesa pedindo ostras como entrada. Elas são servidas em seis versões diferentes para degustação, ou com geléia de maçãs, caviar de salmão e cebolinha (foto), uma forma especialíssima de dar início a um jantar inesquecível.

As sobremesas são um capítulo à parte. Fique com a Pavlova com creme de ruibarbo, geléia e sorvete de maracujá. Ou renda-se ao prato de chocolates (Chocolate Assiette), com fondant, bomba, torta quente, sorvete e biscoitos à base de cacau, combinados com ingredientes como Earl Gray e framboesa. Um escândalo!

Glass Brasserie
Level 2, 488 George St
Sidney, Austrália
Tel:(02) 9
265.6068

Sugestões de leitura (clique para ler sinopses):

Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

A estrela da Serra


Uma das regiões mais belas de Portugal, a Serra da Estrela também dá nome a uma das maiores delícias produzidas no país: o queijo Serra da Estrela ou, simplesmente, queijo da serra.

Curado, maleável ao toque e com interior incrivelmente cremoso, é um queijo produzido a partir do leite cru de ovelhas, sempre no inverno, para ser degustado à temperatura ambiente, de preferência acompanhado por um bom vinho do Porto. Com doce de abóbora, forma uma das sobremesas clássicas da região, uma combinação irresistível.

Eu acompanhei o processo de fabricação artesanal do queijo Serra da Estrela na Casa Matias, na freguesia de Carragosela, e conheci a história deste, que é provavelmente o mais antigo dos queijos portugueses.

O resultado é uma reportagem publicada na revista Prazeres da Mesa deste mês, que marca minha entrada para o time de colaboradores da publicação, o que me enche de orgulho. A revista traz, também, dicas de harmonização para doze tipos de queijos: gouda, taleggio, cabra, roquefort... e quem resiste?

Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

Crème Brûlée, um clássico, uma paixão